PISA. Ex-ministro da Educação assume responsabilidade mas destaca tendências globais do relatório

PISA. Ex-ministro da Educação assume responsabilidade mas destaca tendências globais do relatório

O antigo ministro da Educação, João Costa, disse esta quarta-feira que assume as responsabilidades pelos resultados do relatório PISA, até porque "é isso que se espera de alguém com funções governativas".

Andreia Martins - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: João Marques - RTP

Em entrevista à RTP Notícias, o ex-governante foi questionado sobre os resultados do relatório PISA e a sua responsabilidade como antigo ministro. 

"Obviamente, aquilo que eu digo é o que qualquer pessoa com responsabilidade tem de dizer. Se eu tive responsabilidades na gestão do sistema educativo durante oito anos e meio e se há resultados que são negativos, seria uma completa irresponsabilidade e uma falta de dignidade até, começar a disparar em todas as direções (...) e não assumir também a minha própria responsabilidade", afirmou João Costa.
Acrescentou que essa é a posição "que se espera de alguém que está em funções governativas". 

No entanto, defendeu que o assumir de responsabilidades também implica "olhar para os dados com seriedade e contribuir para a sua interpretação". Neste ponto, destacou que a situação em Portugal reflete "uma tendêncai global" a que "muito poucos países resistem". 
Nos resultados da mais recente edição do PISA, estudo realizado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económicos (OCDE), os resultados dos alunos portugueses pioraram na leitura, matemática e ciências.

Por isso, o antigo ministro da Educação defendeu a importância de olhar para "denominadores comuns" nos vários países, a começar desde logo pelos efeitos da pandemia que ainda se fazem sentir, algo que "ainda não está completamente entendido", realçou. 

No entanto, João Costa afirmou que esse fator "não explica tudo" e que também a competição entre o digital e a leitura são determinantes. 

"Há competição em termos de tempo, o tempo que se passa a fazer scroll numa rede social é um tempo que não se está a ler", argumentou o antigo ministro, defendendo ainda que se deve dar "mais intencionalidade e instrumentos" ao Plano Nacional de Leitura e repensar mesmo o ensino do Português e de outras disciplinas. 

"Na História lemos, na Filosofia lemos, e o PISA não diz não diz nada sobre isto. Há vida para além do PISA", vincou.

João Costa mencionou ainda a "falta de professores" que se sente em vários países, incluindo Portugal, mas também a "desvalorização da própria educação por alguns setores da sociedade".

"É preciso ter famílias mais colaborantes com as escolas e menos clientes das escolas", assinalou, realçando também a necessidade de "desenvolver mais instrumentos de apoio aos alunos de condição socioeconómica mais vulnerável". 

Por fim, João Costa destacou que o setor da Educação "não resolve os problemas todos sozinha" e que é preciso a colaboração de outros Ministérios, como a Segurança Social, Saúde ou Justiça.

"Os professores não são mágicos e não resolvem os problemas todos do mundo", argumentando que é necessária uma "colaboração intersetorial" difícil de colocar em prática. 

O próprio ex-ministro reconheceu que não conseguiu implementar essas mudanças enquanto foi governante perante "diferentes setores fechados sobre si próprios". 
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